Numa visita a duas estações de metrô da Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor), a Central e a do bairro Conjunto Esperança, algo em comum é motivo de reivindicação para usuários: a falta de comércio tanto no interior como nas calçadas da entrada das estações.

A passageira Eveline Oliveira, 36, que utiliza o transporte, desde a sua primeira operação em junho de 2012, acredita que essa é uma das principais necessidades de quem utiliza diariamente o metrô.

 

METROFOR: a resistência do comércio informal no entorno

O pleno funcionamento do metrô nos bairros Centro e Conjunto Esperança gera, nos arredores, reivindicações de melhorias por parte de vendedores ambulantes e usuários

Para a cabeleireira e passageira Fádua Regina, 57, que recorre diariamente aos serviços do metrô, - “caminho em torno de 15 minutos da minha casa até à estação do Conjunto Esperança. São apenas 15 minutos do meu bairro para o Centro. Vale muito mais a pena” -, a presença de ambulantes na calçada da entrada da estação do Conjunto Esperança poderia contribuir para redução da insegurança que as pessoas sentem, até chegar ao local de embarque e atravessar a catraca.

 

Tendo gente frequentando os arredores, diminui com certeza a sensação de insegurança. Não sei por que o Poder Público não deixa os ambulantes trabalharem ao redor dos ‘metrôs’. Seria muito interessante que eles (do Poder Público) analisassem bem essa situação”, sugere Fádua.

Essa demanda se torna mais evidente quando os próprios ambulantes que comercializam no entorno das estações desejam melhorias e até uma decisão efetiva sobre as vendas dentro das estações. Alguns comparam o local com os terminais de ônibus.

 

No terminal, só o que têm é lojas, gente vendendo água, bombom, salgado. Aqui dentro do ‘metrô’ não pode de jeito nenhum. Se liberassem a venda ou até fizessem algo pra montar umas lojinhas aí dentro, seria muito bom, daria emprego e oportunidade pra quem precisa vender. A crise está aí, e tem gente bitolada por emprego”, desabafa o vendedor de água Cristiano Gomes, 35, que há quatro anos chega às 6 horas da manhã na Estação Central a fim de garantir uma renda que seja suficiente para pagar as contas do fim do mês.

Iara Cristina Monte, 49, é uma das vendedoras ambulantes mais antigas do entorno da estação do Centro. Há 10 anos vende todo tipo de lanches, como salgados, sucos, biscoitos e água. Há cinco, decidiu montar sua banca na calçada lateral da Estação Central. Ela acredita que as vendas voltaram a aumentar bastante somente agora, de dois anos para cá.

 

Experiente, Iara ainda sugere melhorias. Seu desejo era ter a chance de comerciar no interior da estação.

 

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Fádua Regina, 57, acredita que a permissão de ambulantes no entorno da estação do Conjunto Esperança poderia contribuir para diminuição da insegurança

Iara Cristina, 49, é uma das vendedoras mais antigas do entorno da estação do Centro

Não tem nada, nenhum tipo de suporte. Quando precisamos tomar uma água, nem um canto pra vender umas balinhas, pra passar o tempo, não tem. Sem contar que não pode entrar com recipiente algum no metrô. Não sei o porquê que é proibido. Até entrar com uma garrafa d’água não deixam”, reclama.

Segundo a cabeleireira, há estações que são muito perigosas e que isso iria diminuir a violência.

 

Cristiano Gomes, 35, vende água há quatro anos na Estação Central

Minha banca era lá na Praça da Imprensa. Percebi que o movimento era bem maior aqui. Muita gente sai da estação querendo um lanche, uma água. Nem pensei duas vezes em ficar aqui nos arredores. No começo, quando inauguraram o metrô, era bem melhor. Eu até ia pra frente da entrada vender água, porque aqui não tinha muita venda, mas, depois de um tempo, lá ficou cheio de vendedores. Não fui mais e voltei pra minha calçada”, confessa.

Eles (o Metrofor) estão demorando a tomar alguma decisão sobre essa parte de vendas lá dentro da estação. Seria muito mais seguro, organizado. Deixa muito a desejar. O metrô, por exemplo, poderia funcionar no domingo, muita gente procura passear de metrô no domingo. Se tivesse transporte nesse dia seria tão bom tanto pras vendas, como para as pessoas que vêm comprar, passear no Centro, vêm ao teatro, ao cinema”.

Já a ex-microempresária, Lindalva Maria Vasconcelos, 50, abandonou há um ano sua marmitaria, na Caucaia, e decidiu montar uma barraquinha de bolos na rua que fica em frente à estação do Conjunto Esperança.

 

Aqui não tinha um ponto de merenda e vi uma oportunidade de ter uma nova renda. Vendia na calçada mesmo da estação, mas aí os guardas me expulsaram de lá. Alegaram que não poderia ficar. Então, me mudei para o outro lado da rua. Muita gente quer trabalhar, muita gente só quer trabalhar, sabe?! A forma como me retiraram de lá não foi legal também. O que a gente vê é só o povo saindo da estação e procurando por alguma coisa pra comer ou beber. O que custa pra quem administra o Metrofor dar essa oportunidade? O que eles esperam? Foi tanto tempo pra colocar esse metrô funcionando, agora mais um bocado de anos pra decidir algo sobre as lojinhas aí de dentro”, lamenta.

Após ser expulsa da calçada da estação do Conjunto Esperança, Lindalva Vasconcelos, 50, mudou-se para a rua de frente

Procuramos, durante duas semanas, a assessoria responsável pela gestão do Metrofor. Não obtivemos qualquer resposta formal, nem sequer por e-mail, sobre quando iniciará a exploração comercial no interior das estações. Em entrevista ao jornal O Povo, em setembro deste ano, a diretora de Desenvolvimento Estratégico do Metrofor, Giselle Secundino, informou que ainda estão sendo feitas pesquisas com os usuários para compreender a real necessidade de mercado.

Na entrevista, a diretora explicou que cada estação tem um potencial diferente. E que o potencial está sendo estudado justamente para que cada edital seja lançado conforme o que está sendo demandado. Giselle disse que, inicialmente, o plano é destinado à Linha Sul que é um sistema de metrô que está operando comercialmente.

 

Até o final do ano devemos ter uma orientação de como e quanto será feito um edital para a exploração comercial das estações. Evidentemente, com os demais detalhes. A maioria das estações tem praças de acesso. Essas praças podem ser utilizadas como empreendimento de shopping centers, lojas, mercados, de escolas, universidades. Enfim, existe uma gama de possibilidades em cada entorno”, explicou a diretora na entrevista.

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Este hotsite, Partiu Metrô?, é resultado do trabalho final da disciplina Projeto em Mídias Convergentes - 2017.2, com orientação do professor Miguel Macedo, do Centro Universitário 7 de Setembro (Uni7).

As reportagens são dos estudantes Amanda Cavalcanti, Iury Medeiros, Mairla Freitas, Mariana Amorim, Natasha Lima, Paulo Mesquita e Rafaelly Leal. A direção de arte é de Naélio Santos. CONFIRA DETALHES!

© Fortaleza 2017. PROJETO PARTIU METRÔ

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